O próximo massacre

 

O governo da Zona Verde e suas milícias estão atacando
civis por todo o Iraque para deter a resistência

 

Os EUA e todas as forças de ocupação são legal e moralmente responsáveis pela
proteção dos civis iraquianos

 

Nível algum de atrocidades poderá quebrar a
unidade geopolítica e a soberania do Iraque

 

A humanidade deve despertar. Os sofrimentos do povo iraquiano são trágicos e derivados de atos criminosos. Todas as cidades estão sitiadas: Fallujah, Sammara, Kirkuk, Haditha, Hit, Ramadi. Latifiyah, Tarmiyah, Baaquba, Moqdadiyah, Buhruz, Madaen, Abualkhasib, Al-Zubeir, Fahamma, Tel Afar, Husaiba

Os subúrbios de Bagdá foram totalmente atacados pelas milícias e a polícia do governo sectário: Adhamiyah, Al-Jihad, Ghazaliyah, Al-Amiriyah, Al-Huriyah, Al-Suleikh, Al-Saidiyah, Haifa Street, Al-Baladiyat, Al-Durah, Palestine Street

Os ataques têm como alvo a resistência à ocupação que se vem espalhando e fortalecendo. Agora a resistência está em todos os locais: no norte, no centro e no sul. A resistência abarca toda a população do Iraque: os árabes, os xiitas, os sunitas, o turcomenos, os seculares, os curdos, os assírios e outros cristãos, além dos sabitas e yazids.

A ocupação não tem futuro no Iraque. Embora derrotada, a ocupação se recusa a aceitar sua derrota até que tenha tentado tudo o que for possível. Aparentemente o governo norte-americano acredita que a guerra civil salvará sua reputação e seus planos.

Os estrategistas dos EUA tentam esquecer-se de que matar civis é um crime político e moral e um ato banido pelo direito internacional, quem quer que seja o executor e qualquer que seja a causa. Qualificar as mortes de civis como sendo uma guerra civil não diminui a responsabilidade das forças locais, regionais ou internacionais que perante a lei têm a incumbência de pôr um fim nisso.

Os assassinatos genocidas, as punições coletivas e os crimes contra a humanidade cometidos nos últimos dias em Bagdá pelas milícias sectárias que participam do governo, com o auxílio da polícia governamental e a cumplicidade das forças de ocupação devem cessar.

Os EUA, ao invés de aceitarem a realidade evidente de que tão somente a resistência popular nacional armada, política e civil tem o poder e a legitimidade para trazer a estabilidade, a democracia e a paz ao Iraque, estão tentando escapar desta realidade, desviando o olhar, a partir da trágica situação das suas mudanças na diplomacia com a Síria e o Irã.

Os EUA não podem escapar da realidade de sua responsabilidade na destruição do Iraque enquanto nação e Estado. Os Estados Unidos tentaram construir, a partir da invasão, um Estado iraquiano artificial, não fundamentado na cidadania o atributo que orienta todos os Estados modernos, inclusive o Iraque desde 1925 mas com base em princípios étnicos e sectários.

Os EUA esqueceram-se de que o Iraque não pode ser dividido; de que sua identidade árabe-muçulmana é uma realidade cultural geopolítica, e que um Estado moderno não pode ser construído sobre princípios que não levem em conta a cidadania livre de todas as formas de discriminação. Esta conversa de guerra civil é hipócrita. Os EUA fazem tudo o que podem para desencadear esta situação.

Toda a comunidade internacional e especialmente os países vizinhos ao Iraque têm interesse moral, político e econômico em entregar o Iraque aos iraquianos, em defender sua unidade e integridade, em ajudar o Iraque a libertar-se da ocupação e alcançar a soberania de seu território,  seus recursos e destino.

 

Ação urgente!

 

Convocamos todas as instituições governamentais e não-governamentais, o mundo todo a lutar contra a escalada de terror que confronta o povo iraquiano.

Os sindicatos, instituições educacionais, parlamentos, grupos pelos direitos humanos devem levantar suas vozes para pôr fim à tragédia representada pela ocupação e por aqueles apostadores locais que jogam com a vida do povo iraquiano em prol de seus interesses políticos, visando ao lucro pessoal.

Somente o fim da ocupação poderá acabar com estas atrocidades. Fim da ocupação já!


Assinam:

Abdul Ilah Albayaty (Membro do Comitê Consultivo do Tribunal de Bruxelas)

Hana Albayaty (Membro do Comitê Executivo do Tribunal de Bruxelas)

Ian Douglas (Membro do Comitê Consultivo do Tribunal de Bruxelas))

Dirk Adriaensens (Membro do Comitê Executivo do Tribunal de Bruxelas)

José Reinaldo Carvalho - Jornalista, Diretor do Cebrapaz Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz e membro consultivo do Tribunal de Bruxelas

Socorro Gomes Deputada Federal pelo PCdoB, Presidente do Cebrapaz Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz e membro consultivo do Tribunal de Bruxelas  

João Pedro Stédile Membro da Direção do Movimento Sem Terra (MST) e da Via Campesina Brasil

Egídio Bruneto - Membro da Comissão Internacional da Via Campesina

João Felício
Secretário de Relações Internacionais da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Brasil

Senador Renato Casagrande Partido Socialista Brasileiro (PSB)


Deputado Federal Jamil Murad Partido Comunista do Brasil PCdoB


Deputado Federal Sergio Miranda Partido Democrático Trabalhista PDT


Deputado Federal Nilson Mourão Partido dos Trabalhadores PT


Deputado Federal Nelson Trad Partido do Movimento Democrático Brasileiro-PMDB


Deputado Federal Jackson Barreto Partido Trabalhista Brasileiro PTB

Emir Mourad - Secretary of COPAL - Arab-Palestinian Confederation of Brazil


Tradução e Maria Helena D Eugenio, Mestre em letras pela PUC São Paulo